Empirismo, racionalismo ou cristianismo?

A modernidade prometeu libertar o homem pela razão e pela ciência, mas acabou por estreitar o próprio significado de racionalidade. Entre empirismo, racionalismo e fé cristã, travou-se — e ainda se trava — uma disputa silenciosa sobre o que significa conhecer a verdade e viver humanamente. Neste artigo, publicado originalmente por David Deavel no The Imaginative Conservative, somos convidados a revisitar esse debate à luz de pensadores como São João Henrique Newman, São João Paulo II e Papa Bento XVI, refletindo sobre como a redução da razão ao método científico moldou nossa cultura — e por que uma compreensão mais ampla, enraizada na tradição cristã, pode ser essencial para recuperar a plenitude da experiência humana. 


David Deavel, The Imaginative Conservative | Tradução: Equipe Instituto Newman


O espírito de uma época é quase sempre uma combinação do bem e do mal, uma mistura de ideias e impulsos que têm como objetivo corrigir as distorções das formas de pensamento anteriores… e acabam introduzindo novas distorções com elas. Parece que ainda estamos em uma época chamada “modernidade” — um período cujo nome deriva do advérbio latino modo, que pode ter muitos significados, mas neste contexto significa “atualmente”, “recentemente” ou “agora mesmo”. “Moderno” começou a ser usado durante a chamada “Era da Razão” do século XVII e o “Iluminismo” do século XVIII para indicar uma atitude e, muitas vezes, a crença declarada de que o que aconteceu no passado era inferior à maneira como fazemos as coisas agora — o que C. S. Lewis gostava de chamar de “esnobismo cronológico”.

Algumas pessoas, incluindo alguns historiadores, dirão que a modernidade terminou há quase um século ou talvez quando o Muro de Berlim caiu. Todos nós vivemos, dizem eles, em uma época chamada pós-modernidade. Acho que há algo de verdade nisso — parece que estamos entrando em águas desconhecidas hoje em dia, que parecem estar completamente livres da razão. Se no século XIX a Igreja Católica ainda defendia a legitimidade da fé cristã contra as afirmações abrangentes da “razão” e da “ciência”, no final do século XX os escritos do Papa João Paulo II tratavam de defender a legitimidade da razão humana para chegar a quaisquer conclusões sobre o mundo. Fides et Ratio, sua carta encíclica de 1998, observou esse novo ceticismo sobre a razão, um ceticismo que beirou o “niilismo”, disse ele. Acho que isso está correto. O niilismo, a crença de que realmente não há um significado abrangente para a vida nem quaisquer princípios filosóficos, religiosos ou morais para nos guiar, é bastante compatível com a tirania — e isso é algo que está sendo imposto a nós de forma lenta, mas segura. Em seu livro The Abolition of Man (A Abolição do Homem), C.S. Lewis coloca desta forma: “Uma crença dogmática no valor objetivo é necessária para a própria ideia de governo que não seja tirania ou de obediência que não seja escravidão”.

Mas como chegamos a esse ponto? É uma história complicada, com muitos fios condutores, muitos deles com nomes que terminam em “ismo”. Vamos simplesmente destacar um chamado “empirismo”. O que é isso?

As definições dos dicionários costumam ajudar um pouco. O Merriam-Webster dá uma definição como “uma teoria de que todo o conhecimento se origina na experiência”. Em termos da história da filosofia, isso leva a algum lugar, mas é um termo bastante amplo e provavelmente incluiria Aristóteles e São Tomás de Aquino, o último dos quais disse: “Não há nada no intelecto que não esteja nos sentidos”.

Embora alguns possam pensar assim, garanto que não estou argumentando que os problemas da modernidade estão relacionados com São Tomás de Aquino.

Qualquer artigo de enciclopédias de filosofia, dirá que existem muitas definições de “empirismo”. Alguns entendem por este termo, não a compreensão de que todos os nossos conceitos têm origem na experiência sensorial, mas que todos eles têm referência a algo que pode ser experimentado. E alguns dizem que quaisquer crenças racionais devem ser justificadas por algum tipo de experiência. Há outras distinções a serem feitas, como os filósofos costumam fazer, e muitas formas de empirismo. Pode-se se perder em todas as diferenças entre os vários empiristas entre si e entre eles e as figuras conhecidas como racionalistas — especialmente Kant e Descartes. Mas vamos nos ater ao panorama geral.

Francis Bacon tem uma ilustre frase, “conhecimento é poder”. Mas de que tipo de conhecimento ele estava falando? Bem, Bacon era um cristão anglicano devoto que acreditava que a ciência natural era melhor praticada com base em uma investigação rigorosa das realidades físicas, em experimentos projetados para testar o que parecia ser o caso e em uma abordagem cética em relação aos resultados alcançados. Ele acreditava que a ciência era melhor praticada de forma indutiva, o que significa que essa investigação rigorosa envolvia muita observação antes de começar a generalizar, quantificar as coisas e, então, chegar a uma teoria que pudesse ser testada experimentalmente.

Acaso há algo de errado com esse modelo para as ciências naturais ou físicas? Em um sentido geral, mesmo nós, que ficamos sentados reclamando da escuridão do século XXI, não temos nenhum problema com o método científico como forma geral de abordar questões da ciência física. Da forma estereotipada como é apresentado, como uma espécie de programa objetivo e imparcial que os cientistas seguem de forma bastante mecânica, ele é falso. Mas os cientistas sabem disso e apenas o tratam como uma aproximação grosseira do que fazem de qualquer maneira. Os ideais gerais da pesquisa científica física são aqueles a que nos referimos. E eles têm sido bem-sucedidos. Podemos preferir o século XIII, o maior dos séculos, mas ninguém jamais pensou em inventar uma máquina do tempo para visitar o dentista de santo Tomás de Aquino. Não, gostamos do empirismo na ciência.

Até mesmo São John Henry Newman gostava. Algumas pessoas presumem que, por ser a favor da educação liberal e da fé, ele era de alguma forma anticientífico. Longe disso. Ele achava que as ciências naturais eram profundamente importantes e criou cátedras em ciências. Ele até deu palestras sobre ciência que foram publicadas em sua grande obra A Ideia de Universidade. E nos famosos nove discursos que são a base desse livro, ele refletiu sobre o mundo empírico e científico que Bacon criou e o que ele pensa dele.

“A Filosofia da Utilidade, dirão vocês, senhores, pelo menos cumpriu sua função; e eu concordo — ela tinha objetivos modestos, mas os alcançou… Sua missão era aumentar o prazer físico e o conforto social; e, de forma maravilhosa e impressionante, ela cumpriu sua concepção e seu projeto. Quase todos os dias temos novos brotos, botões e flores, que amadurecerão em frutos, naquela árvore mágica do Conhecimento que ele plantou e à qual talvez nenhum de nós, exceto os muito pobres, não deva, se não sua vida atual, pelo menos seu alimento diário, sua saúde e bem-estar geral. Ele foi o ministro divinamente providenciado de benefícios temporais para todos nós, tão grande que, independentemente do que eu seja forçado a pensar dele como homem, não tenho coragem, por mera gratidão, de falar dele severamente.”

Newman nunca teria uma daquelas placas dizendo: “Nesta casa, acreditamos na ciência!” Mas ele, assim como nós, apreciava isso. A ciência moderna e sua maneira empírica rigorosa de fazer as coisas realmente nos proporcionou grandes poderes — uma “árvore mágica do conhecimento” não parece tão fora de lugar assim.

No entanto, o progresso tecnológico, apesar de todas as suas maravilhas, não é uma panaceia para os males do mundo. Você pode colocar as pessoas em um paraíso tecnológico, mas não pode, com a ciência, colocar o paraíso nos seres humanos. Pois logo depois que essa maneira de pensar científica habitou a paisagem intelectual do mundo moderno, ela passou a deformá-la. Outra razão pela qual não estou interessado em repetir para vocês todas as diferenças entre os filósofos chamados empiristas e aqueles chamados racionalistas é que, na história do mundo moderno, ambos meio que venceram. Como disse o Papa Bento XVI em sua famosa palestra em Regensburg, o que aconteceu no mundo moderno foi que a própria noção de razão foi reduzida a um sanduíche — um sanduíche baconiano, cartesiano e tecnológico. Aqui está o Papa Bento XVI:

“Este conceito moderno de razão baseia-se, em resumo, numa síntese entre o platonismo (cartesianismo) e o empirismo, síntese confirmada pelo sucesso da tecnologia. Por um lado, pressupõe a estrutura matemática da matéria, a sua racionalidade intrínseca, que permite compreender como a matéria funciona e utilizá-la de forma eficiente: esta premissa básica é, por assim dizer, o elemento platónico na compreensão moderna da natureza. Por outro lado, há a capacidade da natureza de ser explorada para nossos fins, e aqui somente a possibilidade de verificação ou falsificação por meio da experimentação pode produzir certeza decisiva. O peso entre os dois pólos pode, dependendo das circunstâncias, mudar de um lado para o outro.”

Este sanduíche é apenas superficialmente atraente. A própria razão foi reduzida às questões nas quais podemos usar a matemática para descobrir experiências científicas, cuja prova é demonstrada pela nossa capacidade de manipular a matéria e usar a tecnologia.

O primeiro resultado disso, diz o Papa Bento XVI, é que “o tipo de certeza resultante da interação entre elementos matemáticos e empíricos pode ser considerado científico. Qualquer coisa que pretenda ser ciência deve ser avaliada com base nesse critério. Por isso, as ciências humanas, como a história, a psicologia, a sociologia e a filosofia, tentam se adequar a esse cânone da cientificidade”.

Resumindo, todos os estudiosos que analisavam o passado, a mente e a alma humanas, as culturas e sociedades, e até mesmo a própria sabedoria, foram informados de que precisavam apresentar evidências do que Sigmund Freud provavelmente chamaria de “inveja das ciências naturais”. Eles deveriam abordar apenas questões de âmbito restrito e quantificável. Eram obrigados a se tornar “especialistas” em campos específicos, estudando assuntos cada vez mais restritos. Não há dúvida de que o uso de métodos de pesquisa matemáticos e experimentais nessas áreas produziu descobertas importantes. Mas também houve um grande estreitamento.

Tomando a psicologia humana como exemplo, quem negaria que algumas das descobertas neuroquímicas e farmacêuticas sobre o cérebro na década de 1970 foram frutíferas? Mesmo assim, tem havido uma tendência de reduzir a psicologia à química cerebral na era moderna, muitas vezes sem muitas evidências concretas para isso. O psiquiatra prisional aposentado e escritor Anthony Daniels, que às vezes escreve sob o pseudônimo Theodore Dalrymple, tem, tanto em livros quanto em artigos, criticado veementemente essa tendência de se fixar no ajuste de substâncias químicas e hormônios, excluindo o desenvolvimento de hábitos de pensamento e ação que levariam a uma melhor saúde mental. O mesmo faz Joseph Davis, professor pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade da Virgínia, que estuda essa tendência há anos. Seu livro de 2020, Chemically Imbalanced: Everyday Suffering, Medication, and Our Troubled Quest for Self-Mastery (Desequilíbrio químico: sofrimento cotidiano, medicação e nossa difícil busca pelo autodomínio), mostra — por meio de estatísticas e entrevistas aprofundadas — como as pessoas hoje pensam que seu sofrimento não tem a ver com o coração, a alma ou a mente, mas apenas com o “cérebro”. E que os comprimidos podem resolver isso.

Em suma, a psicologia científica acaba sendo simplesmente biologia. O ser humano está perdido. O mesmo ocorre com as outras ciências sociais. João Paulo II escreveu que o problema da filosofia moderna é que ela “abandonou em grande parte o estudo metafísico das questões humanas fundamentais para se concentrar em problemas mais detalhados e restritos, às vezes até puramente formais”. A fuga do fundamental se deve a essa noção radicalmente reduzida da razão — ou ao que João Paulo chama de “desconfiança” da razão.

Se essa visão empírica/cartesiana deformou nossa compreensão do que significa ser humano, ela fez ainda pior à nossa compreensão de Deus. O Papa Bento XVI apresenta uma segunda consequência dessa redução da razão. “Por sua própria natureza, esse método exclui a questão de Deus, fazendo-a parecer uma questão não científica ou pré-científica”. Não está claro se o cosmonauta russo Yuri Gagarin realmente disse “Não vejo Deus aqui em cima”, mas esse é um sentimento moderno bastante comum. Dizem-nos que não temos “provas” da existência de Deus. O tipo de prova de que precisamos é, naturalmente, assumido como quantitativo e, em última análise, material.

Se a ciência empírica em si não leva ao ateísmo, a abordagem científica que tem sido adotada certamente leva. Não é de se admirar que grande parte da teologia moderna e da formação pastoral dos últimos sessenta anos tenha assumido um tom ateísta. São João Paulo observou que o Concílio Vaticano II “enfatizou o valor positivo da pesquisa científica para um conhecimento mais profundo do mistério do ser humano”. “Mas”, acrescentou, “o convite dirigido aos teólogos para se envolverem com as ciências humanas e aplicá-las adequadamente em suas investigações não deve ser interpretado como uma autorização implícita para marginalizar a filosofia ou substituí-la por outra coisa na formação pastoral e na praeparatio fidei”.

O papa não estava se referindo a uma hipótese, mas sim ao que havia acontecido em muitos seminários e departamentos de teologia. Uma base filosófica rigorosa e ampla para o pensamento teológico havia sido frequentemente abandonada em favor de uma camada superficial de ciências sociais, cujas premissas eram que Deus não é o tema, mas sim o homem. Os departamentos de teologia em muitas universidades católicas (e cristãs) foram renomeados como “Estudos Religiosos” porque se presumia que não se podia realmente estudar Deus — theos —, mas que se podia estudar o fenômeno humano da religião. Afinal, Deus não pode ser medido ou experimentado para se obter resultados quantificáveis. Mas o comportamento das pessoas religiosas pode!

Mas e quanto à crença em Deus e na moralidade? Se a teologia foi substituída pelas ciências sociais, o que foi ensinado? Houve várias tentativas de criar uma moralidade “científica”, mas, sem uma noção deste mundo como uma criação ou uma natureza com uma estrutura que fosse mais do que apenas matemática e material, nenhuma delas funcionou. Como observou o Papa Bento XVI, “as tentativas de construir uma ética a partir das regras da evolução ou da psicologia e da sociologia acabam sendo simplesmente inadequadas”.

Por serem e continuarem sendo inadequadas, o que foi ensinado é, em última análise, uma forma de subjetivismo ou relativismo. Lembro-me de preencher testes na minha escola pública em Indiana que tinham como objetivo nos fazer distinguir entre “fatos” e “valores”. Não me lembro agora se a questão da existência de Deus foi levantada, mas lembro-me de julgamentos morais serem colocados na categoria “valor”.

O Papa Bento XVI descreveu o resultado final: “as questões especificamente humanas sobre a nossa origem e destino, as questões levantadas pela religião e pela ética, não têm então lugar no âmbito da razão coletiva, tal como definida pela ‘ciência’, assim entendida, e devem, portanto, ser relegadas para o domínio do subjetivo. O sujeito decide então, com base em suas experiências, o que considera sustentável em questões de religião, e a ‘consciência’ subjetiva torna-se a única árbitra do que é ético”.

Infelizmente, temos visto essa noção da consciência subjetiva julgando a moralidade e a religião sendo ensinada até mesmo por bispos e cardeais ultimamente.

Como conclui o Papa Bento XVI, “Esta é uma situação perigosa para a humanidade, como podemos ver pelas patologias perturbadoras da religião e da razão que inevitavelmente surgem quando a razão é tão reduzida que as questões da religião e da ética já não lhe dizem respeito”.

De fato, é mesmo. Pois quando a existência de Deus e a moralidade tornam-se uma questão de valor subjetivo, estamos prontos para o niilismo e para a tirania de que falei no início. O Papa João Paulo II aludiu a esse problema na encíclica de 1998, quando descreveu como, seguindo esse ponto de vista científico sem Deus e amoral, “certos cientistas, sem qualquer referência ética, correm o risco de colocar no centro de suas preocupações algo diferente da pessoa humana e da totalidade da vida da pessoa. Além disso, alguns deles, percebendo as oportunidades do progresso tecnológico, parecem sucumbir não apenas a uma lógica baseada no mercado, mas também à tentação de um poder quase divino sobre a natureza e até mesmo sobre o ser humano” (FR 46).

Esse foi o caminho seguido pelas várias formas de marxismo, que se diziam “científicas” e deixaram em seu rastro dezenas de milhões de mortos. Esse também tem sido o caminho seguido por nós, que vivemos no mundo aparentemente livre. Talvez você tenha ouvido o que Robert G. Edwards, inventor da fertilização in vitro — popularmente conhecida como bebês de proveta — disse em uma entrevista em 2003: “Eu queria descobrir exatamente quem estava no comando, se era o próprio Deus ou se eram os cientistas no laboratório”. Ele concluiu: “Éramos nós”.

Podemos estar em um período de “pós-modernidade”, como disse antes, mas as afirmações específicas dessa compreensão amplamente reduzida da razão ainda são o que tende a intimidar ou convencer uma certa parte do público. Cientistas, políticos e até mesmo avaliadores de seguros, especialistas em ética na área da saúde e gerentes de empresas afirmam falar em nome da “Ciência” até os dias de hoje.

Aqueles que lidam com idosos ou enfermos atribuem pontuações QALY. Isso significa Quality-Adjusted Life Years (Anos de Vida Ajustados pela Qualidade). Essa medida científica do número e da qualidade dos anos que um paciente pode viver nos diz se um tratamento que salva vidas deve ser administrado ou não. Aqueles que vivem em lugares onde os médicos podem (e agora muitas vezes devem) participar ajudando pessoas a cometer suicídio frequentemente usam essas medidas científicas para dar conselhos.

Os responsáveis pela saúde pública em muitos países ao redor do mundo usaram essas medidas quantitativas para determinar que poderiam fechar nossas empresas, nossas escolas e nossas vidas por vários anos por causa de um vírus respiratório. Existem inúmeros outros exemplos dessa tirania justificada por números.

Como argumentou São João Henrique Newman, a razão moderna, baseada em evidências empíricas e em bons cálculos matemáticos, nos trouxe inúmeras bênçãos pelas quais devemos realmente ser gratos, como uma forma de luz. Mas, como ele, citando o poeta alemão Goethe, sempre estava pronto para dizer, a luz mais brilhante traz as sombras mais escuras. Nosso império moderno de pesquisa empírica e raciocínio matemático, desprovido da plenitude da luz divina e da sabedoria humana, nos atingiu de forma extremamente destrutiva. O sanduíche baconiano-cartesiano-tecnológico tinha alguns elementos deliciosos e saudáveis, mas ao considerá-lo a única opção em nosso cardápio, ficamos desnutridos e talvez até envenenados.

Então, de que precisamos agora? Precisamos ensinar as pessoas a raciocinar novamente, a compreender que todos nós, incluindo os cientistas, raciocinamos e até encontramos certezas sobre muitas coisas em nossa vida de maneiras nada científicas, que não se encaixam nas compreensões limitadas que nos foram propostas nos últimos séculos. A experiência, em um sentido amplo, desempenha um papel importante, mas trazemos para a experiência certos princípios básicos que não obtivemos da própria experiência e que não podem ser comprovados. Além disso, nossas experiências não podem ser todas pesadas ou medidas de maneira científica e analisadas de acordo com métodos estatísticos. Se você é casado, foi porque fez uma pontuação de Anos de Vida Ajustados pela Qualidade para o casamento antes de dizer “sim”? Se você se converteu a Cristo, foi por causa disso? Ou houve outras maneiras de pensar e conhecer?

É evidente que certas questões específicas podem ser analisadas de forma empírica, imparcial e estatística. Mas as mais importantes não podem. Se eu tivesse que propor outra maneira de pensar sobre o pensamento que conseguisse captar como realmente pensamos, eu apontaria para muitos dos nomes mencionados. Precisamos retornar ao senso comum de Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, à compreensão do caráter pessoal do nosso conhecimento descrita por Newman e Michael Polanyi, e à coragem de segui-los, pioneiramente demonstrada por João Paulo e Bento XVI.

Para que a modernidade dê lugar a algo melhor, precisamos confiar em nossa razão em um sentido expansivo como um dom de Deus para conhecer nossos próprios corações e mentes — e para conhecer toda a sua criação. Isso seria um empirismo verdadeiramente cristão e apropriadamente humilde.


O Autor

David Deavel é colaborador sênior do The Imaginative Conservative e professor associado de Teologia na Universidade de St. Thomas (Houston). Ele possui doutorado em Teologia pela Fordham, é vencedor do Prêmio Novak do Acton Institute e ex-bolsista Lincoln do Claremont Institute.

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